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Pokémon Brilliant Diamond roda nativo no iPhone, iPad, Mac, Linux e Windows — e não é emulador

Pokémon Brilliant Diamond roda nativo no iPhone, iPad, Mac, Linux e Windows — e não é emulador

O projeto strahlender-xnu publicou neste 1º de novembro uma atualização que muda o patamar: Pokémon Brilliant Diamond agora roda como aplicativo nativo em iPad, iPhone, Mac, Linux e Windows. Não é emulação, não é streaming e não é camada de compatibilidade.

O que é recompilação estática

O README do projeto é explícito: “This is not an emulator. The game’s own ARM64 code is translated into native code ahead of time, and a small runtime replaces the Switch operating system and its graphics API.”

Em um emulador, as instruções são traduzidas durante a execução — daí o engasgo característico. Aqui a tradução acontece antes de rodar: o código do jogo é convertido e compilado na máquina do usuário, e o resultado é um programa nativo. Um runtime pequeno faz o papel do sistema do console: chamadas de kernel, serviços de sistema, sistema de arquivos e a API gráfica NVN.

O desenho gráfico acompanha a plataforma: Metal nos aparelhos da Apple e Vulkan no Linux e no Windows.

Onde roda

  • iPad e iPhone da família iPhone 11 em diante, com chip A13 e 4 GB de RAM ou mais
  • Mac com Apple Silicon
  • Linux x86-64 (Linux aarch64 compila, mas não foi testado)
  • Windows 10 22H2 e Windows 11 (x86-64)
  • Planejado: Apple TV

O aparelho de teste citado é um iPhone 11 Pro Max.

Instalador e o detalhe do iPhone

Existe um instalador gráfico para macOS, Linux e Windows que guia o usuário pelas chaves, pelos arquivos do jogo e pelo build, com Python embutido. A release mais recente é a installer-v0.1.2, publicada em 1º/11/2026 às 20h17 UTC, com 11 arquivos — incluindo AppImage para Linux x86-64 e aarch64, pacote universal para macOS e executável para Windows.

No iPhone e no iPad o caminho é outro: o app é compilado num Mac com Xcode e assinado com a própria Apple ID do usuário. Não há loja e não há atalho — o aplicativo é montado com o jogo e as chaves de quem usa.

Mods e teclado

Mods de arquivo (RomFS) podem ser trocados sem reinstalar; mods de código (ExeFS) são compilados dentro do app. Há até o teclado de texto do próprio Switch (Horizon OS), que exige o firmware do console durante o build.

O lado ruim, com números do próprio projeto

  • 64 segundos para o primeiro quadro no Mac quando o cache de shader do Metal estava frio — a issue foi fechada, mas ilustra o custo da compilação
  • No Windows, o instalador travava no passo 9 com erro de certificado (CERTIFICATE_VERIFY_FAILED)
  • Controles de toque customizáveis e proporções de tela alternativas (4:3, iPad Pro 11″, 16:10, 21:9) seguem na lista de pedidos

Tamanho do projeto

O repositório tem 30 estrelas, nenhum fork e 9 issues. Foi criado em 18 de outubro de 2026, ou seja, tem cerca de duas semanas. É escrito em C e licenciado em MIT. Não há review independente da comunidade.

Legalidade

O repositório não contém dados do jogo, chaves, arquivos de save nem código gerado. É preciso ter a própria cópia legalmente obtida (XCI, opcionalmente o update NSP) e o próprio arquivo prod.keys. Pokémon é marca da Nintendo, Game Freak e Creatures, e o projeto declara não ter vínculo com nenhuma delas.

Por que isso importa

Até agora a recompilação estática aparecia majoritariamente em PC. Este projeto mostra a técnica chegando em celular e tablet — com Metal, Vulkan e assinatura local. É mais um indício de que a barreira deixa de ser “ter um PC forte” e passa a ser “ter o aparelho certo e paciência para compilar”.

Ressalvas

Não instalamos nem testamos o projeto. Todos os dados vêm do repositório, das releases e das issues oficiais. O projeto é novo e pequeno, não tem review independente, e no iPhone depende de assinatura com a conta Apple do usuário. Trate como experimento técnico, não como solução pronta.

Fontes: github.com/Veemyu/strahlender-xnu (README, releases e issues) e o post no reddit.com/r/decomps.