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Super Mario Odyssey roda nativo no PC: recompilação estática, 4K e mods — mas trava em 60 fps por design

Super Mario Odyssey roda nativo no PC: recompilação estática, 4K e mods — mas trava em 60 fps por design

Super Mario Odyssey, o Mario 3D de Switch lançado em 2017, agora roda nativo no PC. O projeto Power Moon Recomp faz recompilação estática: o código ARM64 do jogo é traduzido para C com antecedência e compilado em um programa comum para Windows, Linux ou macOS.

O que é (e o que não é)

Não é emulador. Segundo o README, “no emulator runs at play time”: as partes do sistema do Switch com que o jogo conversa — kernel, serviços, a API gráfica NVN e áudio — foram reimplementadas no PC. A camada gráfica usa Vulkan no Windows e no Linux e Metal no macOS.

O projeto é construído em cima do LAS Recomp, do desenvolvedor Peiikai, e usa nomes do OdysseyDecomp. O autor é transparente sobre o método: “Built with heavy help from an AI coding agent (Claude), directed and tested by a human.”

O que já funciona

  • Jogável do início ao fim: todos os reinos, os chefes, as seções 2D e 8-bit, o final e o conteúdo pós-jogo, a 60 fps num PC atual
  • Windows x64 e Linux x64 jogáveis; macOS (Apple Silicon) é um build de teste inicial
  • Resolução interna: modo “casar com o monitor” (mínimo 1600×900 do Switch) e escala de 1× a 4× sobre 1080p — 2× já é 4K
  • AMD FSR 1 de 25% a 75% para PCs mais fracos, além de SMAA
  • Teclado e controle com todos os botões remapeáveis
  • Mods no formato RomFS: roupas, modelos, texturas, músicas, textos e fases, com aba própria no menu

Requisitos

  • Windows 10/11 x64 ou Linux x64 (glibc 2.35+)
  • CPU com AVX2 (Intel Haswell / AMD Zen ou mais novo)
  • GPU com Vulkan 1.3 e driver atualizado
  • 8 GB de RAM (16 GB recomendado) e cerca de 7 GB livres em disco
  • macOS 15+ em Apple Silicon (M1 ou mais novo)
  • Super Mario Odyssey versão 1.0.0, extraída do próprio console (exefs e romfs)

Como instala

Na primeira execução o setup confere a versão do jogo, copia cerca de 6 GB e recompila o código na sua máquina — poucos minutos, uma vez só. A partir daí o jogo abre direto.

Por que o jogo trava em 60 fps

Este é o detalhe técnico mais interessante: o jogo não pode rodar a 120 ou 144 fps. A lógica do jogo original está presa à taxa de quadros — rodar mais rápido faria o jogo andar mais rápido. Ir além exigiria interpolação de quadros, que está planejada.

Shaders em duas fases

A primeira visita a uma área compila os shaders e pode causar uma pausa de um ou dois segundos, e um efeito novo pode segurar a imagem por um instante. Tudo fica salvo em cache/, então a segunda visita abre numa fração de segundo. Shaders carregados mas nunca exibidos são preparados na abertura seguinte — por isso pode aparecer uma janelinha de “Preparing shaders” por alguns segundos.

O vazamento de 20 GB

Na versão 0.1.6 o autor corrigiu um problema em que o uso de memória podia passar de 20 GB depois de jogar por um tempo. A mesma versão melhorou o engasgo, passou a salvar todo shader compilado e incluiu um AppImage para Linux.

O lado ruim

  • Só roda a versão 1.0.0 do jogo — quem tem o jogo atualizado não consegue usar
  • O executável não tem assinatura digital: o SmartScreen do Windows vai avisar
  • Alguns antivírus marcam odysseygen\odysseygen.exe como falso positivo (é um programa Python empacotado)
  • A primeira visita a cada área ainda engasga
  • No macOS, problemas gráficos são prováveis: parte das correções do renderizador é só para Vulkan

Uma história curiosa

O projeto está no GitLab, não no GitHub. Segundo o autor, a conta dele no GitHub foi banida logo depois de subir o projeto.

Recepção

O post de lançamento no r/decomps chegou a 1.911 votos e 267 comentários, o maior do dia. No mesmo dia, outro projeto mostrou o mesmo jogo rodando num Apple TV 4K a 60 fps — mas esse é um trabalho separado, baseado em nxnative, sem relação com este.

Ressalvas

Não instalamos nem testamos o projeto. Todos os dados vêm do README e do post do autor. O projeto usa código de terceiros (LAS Recomp) e declara uso intenso de agente de IA sob direção humana. O repositório não inclui nenhuma parte do jogo: é preciso ter a própria cópia, na versão 1.0.0. Super Mario Odyssey é marca da Nintendo, e o projeto não tem vínculo com ela.

Fontes: gitlab.com/zzzarathustra-dev/power-moon-recomp e o post em reddit.com/r/decomps.